Depoimento
de Leitura e Escrita
Sempre
fui muito solitária quando criança, sou a caçula de três irmãs e um irmão,
minha mãe deu a luz quando já tinha seus 43 anos, não brinquei muito com ela, e
não me lembro também de ter experiências lúdicas com meu pai e meus irmãos, pois trabalhavam na roça, e a diferença de idade entre mim e minha irmã anterior são
de 6 anos...
Fui
direto para o ensino fundamental, não passei pela educação infantil, e acho até que
isso contribuiu para minha dificuldade em ser alfabetizada. Creio que minha
experiência de leitura começou com a cartilha, chamada Caminho Suave, a
professora era muito brava, mas também carinhosa em alguns momentos, só que não
retomava as lições.
Estávamos
na lição do TAPETE, ta, te , ti , to , tu...e eu nada, nem tapete tinha em
minha casa.
Aquele
livro, assim como eu o chamava, me deixava nervosa, muito mesmo, e ao mesmo tempo
triste e desanimada. Queria muito conseguir vencê-lo, na verdade foi
com muita luta e paciência, que minha irmã mais velha Maria Selma, conseguiu
me fazer entender os sons daquelas letras, nossa que difícil...
Quando
consegui entender, era mês de junho já... parecia que renasci, tinha uma vontade
imensa de ir para a escola, pois consegui ler, e fazia de tudo para acompanhar
meus amigos, não tinha mais timidez, não tinha medo, estava segura, me sentia
assim poderosa, e tudo o que a professora me pedia para ler, eu lia. Ela
ficou extasiada com aquilo, acho que não colocava fé em mim.
A minha heroína mesmo, foi minha irmã, jamais, e nunca me esqueço daquela cena, ela cansada de tanto
trabalhar; era doméstica, e ainda ficava comigo ali, fazendo eu entender
a pronúncia de cada som.
Depois
encontrei, já anos depois, não me lembro ao certo quando exatamente, mas
encontrei a Pollyana Menina, e que ainda irei reler, e ali com a Poly, eu ri,
chorei, sofri e cresci, ela foi minha companheira, e sempre falo dela até hoje para
meus alunos. E sempre tirava algo de muito bom desse livro, pois tudo que era difícil para
uma criança ela superava, sempre muito pra cima, entusiasmada com a vida e diante de suas
lutas, que não foram facéis; principalmente a perda de seu querido avô, por exemplo.
Essa leitura inesquecível me fez abrir para vida,
eu me identificava com ela, tentava aprender com ela, era como se ela fosse
minha amiga invisível.
Profª
Cléo Costa
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